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Polícia

25/10/2019 às 13h02

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Redacao

Iturama / MG

Operação do Gaeco mira esquema de desvio milionário no transporte escolar de Uberlândia
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Operação do Gaeco mira esquema de desvio milionário no transporte escolar de Uberlândia

Alexandre Nogueira, Wilson Pinheiro e Juliano Modesto são investigados; delegados da Polícia Civil também são alvos


Agentes públicos de Uberlândia voltam a ser alvos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em ação deflagrada na manhã desta sexta-feira (25). As investigações têm como foco principal um esquema fraudulento que teria desviado cerca de R$ 7 milhões dos cofres municipais com a prestação de serviço de transporte escolar. Também são apurados crimes de corrupção praticados por delegados da Polícia Civil na cidade.


A operação é feita contra 76 investigados com mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em desdobramento das operações Torre de Babel e Mercúrio, além da operação denominada O Poderoso Chefão. São cumpridos mais de 100 mandados. 


Entre os investigados estão os vereadores Alexandre Nogueira (PSD), Wilson Pinheiro (PP) e Juliano Modesto (suspenso do partido Solidariedade), que já estava preso em virtude do mandado de prisão cumprido na última semana pela primeira fase da Operação Torre de Babel. Pinheiro, líder do prefeito na Câmara, foi preso no início da manhã no bairro Santa Mônica. O vereador Alexandre Nogueira não foi localizado na residência e o mandado de prisão contra Modesto será cumprido no presídio Professor Jacy de Assis, onde ele se encontra preso. 


O ex-controlador da Câmara Municipal de Uberlândia, Adeilson Barbosa, e o delegado de Homicídios Eduardo Leal também estão entre os presos. No caso do policial, as investigações da segunda fase da Operação Mercúrio apontam que ele teria recebido propina de um investigado do Gaeco, cujo valor foi negociado durante confecção de auto de prisão em flagrante em 2014. Há um mandado de prisão contra o ex-delegado de Homicídios Vitor Dantas, que já foi preso na Operação Fênix, por também cobrar vantagem indevida de presos. 


O Diário tenta contato com a defesa dos investigados nesta manhã, bem como a Polícia Civil e a Câmara de Uberlândia, para manifestação sobre as prisões. 


Coopass X ATP


O Ministério Público apura na Operação O Poderoso Chefão os crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro envolvendo dirigentes e empresas com ligação à Cooperativa dos Transportadores de Passageiros e Cargas (Coopass) e à ATP, que prestaram serviço de transporte escolar à Prefeitura de Uberlândia. 


O nome faz referência ao vereador Alexandre Nogueira que estaria no comando das associações. Segundo o Gaeco, há informações de que "ATP" é a suposta sigla para "Alexandre Todo Poderoso". As primeiras informações divulgadas pelo Gaeco dão conta de que o grupo criminoso mantinha ainda esquema de lavagem de dinheiro por meio de laranjas e diversas empresas constituídas em nome de dirigentes da Coopass e da ATP.


Em 2015, a Câmara de Uberlândia criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as irregularidades praticadas no serviço prestado, naquela ocasião, pela AMTGO. Nogueira era presidente do Legislativo e a CPI foi presidida pelo vereador Wilson Pinheiro.


De acordo com o Gaeco, a CPI da Vans teria sido utilizada pelos vereadores investigados para pressionar o então prefeito Gilmar Machado (PT) a contratar a ATP, que foi fundada pelo mesmo grupo responsável pela Coopass e ligada aos vereadores Alexandre Nogueira e Juliano Modesto.


A Prefeitura rompeu o contrato com a antiga associação e a ATP passou a prestar os serviços, cometendo as mesmas fraudes denunciadas contra AMTGO na Operação Kms de Vantagem.


O esquema denunciado ao MPE e à Polícia Civil indica que foram falsificados documentos, adulterando a quilometragem percorrida pelos veículos, para que fosse feito o repasse dos valores superfaturados à ATP. 


Ainda não há informações sobre a participação de cada um dos investigados nos eventuais crimes. Uma coletiva de imprensa deverá ser realizada ainda nesta sexta-feira.

FONTE: Diário de Uberlândia

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